Era um Domingo calmo e familiarizado, sereno. Já passavam das nove da noite; eu subia as escadas do prédio quando chegando aproximadamente aos últimos cinco degraus, eu respirei superficialmente quando a vi. Estava com seus amigos, nossos olhares se encontraram quando eu ainda subia as escadas longas de concreto firme, fiquei tão nervoso que a cumprimentei com aperto de mãos, esqueci até de cumprimentar um dos seus amigos. Ele ainda fez uma brincadeira do tipo “ah esqueceu-se de mim”. - todos riram levemente. Depois do deslize fui logo ao banheiro para tentar disfarçar a minha timidez que estava mais em meu consciente do que demonstrava fisicamente. Ainda assim acho que fiquei passado como bobo.
Ao banheiro que era grande e longo, sua estrutura formava um grande “L”, e suas paredes pareciam de uma lanchonete típica americana, tons em vermelho e pasteis. Olhei-me no espelho, arrumei o cabelo, transpassando os fios entre meus dedos para desembaraçar e sorri pra meu reflexo no espelho. Eu estava realmente feliz de vê-la, eu ainda estava entorpecido com o sorriso colossal dela. Naquele momento vendo meu reflexo vazio no espelho em forma de retângulo, viajei em meus pensamentos... Não era a primeira vez que havia a visto.
Lembro que a primeira vez que nós vimos foi um pouco, diria na verdade, bastante constrangedor. Ambos estávamos tímidos e receosos. Eu vinha vindo do supermercado com um amigo, íamos a casa dele, na esquina antes de sua casa lá estava ela com suas primas sentadas na calçada elevada em frente a uma padaria onde passava futebol para os clientes e vendia mais cerveja do que pães. Eu segurava um pacote de bolachas wafers, lembro que eram bem gostosas e eu estava com fome, acho que perdi, definitivamente e rapidamente, a fome quando... Bem, quando eu a vi, mas eu não tive certeza se eu estava realmente vendo ou se era uma miragem. De qualquer jeito eu não estava no deserto delirando de sede para ter miragens e se não fosse real meu coração não teria disparado e parado de bater ao mesmo tempo. Então, era legalmente real.
Eu a vi ao vivo. Senti-me pálido e bastante trêmulo, senti os batimentos do meu coração indo a mil por hora, os ossos do meu corpo amoleciam. Meu estomago murmurou sozinho. - Vou ter um ataque cárdia. - sussurrei em minha mente. Eu Tinha apenas a vista periférica de longe, cerca de uns vinte passos de distância entre nós era o que me separava dela naquela noite não tão fria para usar casacos e nem quente também, a brisa era fria, mas agradável. Ela estava sentada de costas conversando distraída com as outras garotas. Eu podia vê-la de perfil entra uma árvore e um telefone publico, seu sorriso era alegre a magistral, eu parei de piscar por algum tempo enquanto podia vê-la sorrir e foi como nos filmes, tudo em câmera lenta. A trilha sonora era de tagarela do meu amigo em meus ouvidos, mas eu só ouvia sonidos como se fossem abelhas em volta e os significados das palavras desapareciam na minha mente antes mesmo que meu cérebro pudesse captá-las. Eu estava sem sentidos e fora do meu corpo. Pensei que assim que fosse o coma e não o como no qual eu me encontrava, (Um coma de solidão onde nada fazia sentido).
Pensei que fosse a timidez, mas eu tinha outra teoria para esses sintomas que sentia ao vê-la, o poderoso encanto dela. Deixava-me nervoso o suficiente para esquecer onde eu estava. Em minha mente naquele momento éramos apenas eu e ela, distantes, mas apenas nós dois em uma trilha sem fim. Eu no começo frio e assustador e ela no fim quente e paradisíaco. Nunca chegava perto do toque, era como se as pontas dos meus dedos quisessem tocar as nuvens no céu.
Movi-me a cumprimentá-la, tive uma sensação diferente. Cumprimentá-la, ou seja, poder ter algum contato do tipo toque com ela, era bom e confortante. Imaginei como seria seu abraço: Acolhedor e sonífero. Ao cumprimentá-la o meu nervosismo me trai nessa hora, não me dando chances de olhar em seus magníficos olhos de uma cor semelhante a topázio, uma mistura de esmeralda com topázio. Senti novamente meu coração disparar e diminuir seus batimentos cardíacos ao mesmo tempo ao tocar seu rosto macio e sedoso. Eu podia sentir a doçura de seu perfume.
A garota dos meus sonhos era quieta, e relativamente sorria sem mostrar seu sorriso metálico. Eu a admirava entre os cantos dos olhos pelos meus ombros mal posicionados enquanto andávamos. – Como é linda.
- Um pouco mais próximos eu admirava sua perfeição desconcertante. Sem encontro de sentimentos, o que se encontrava ali eram apenas nossos olhares, seus olhos estavam gentis.