Estou dançando, em um lugar com luzes coloridas e muitas pessoas em volta dançando ao som de suas músicas prediletas, mas se olho em volta eu vejo que ninguém está realmente ali, estou sozinha aquela noite dançando em volta de meus próprios passos. Estou em um carro, de carona espero um beijo de boa noite pra que eu posso descer e entrar em casa, mas ninguém está no banco do motorista, estou ali falso e perdido em tudo que eu conheci. Pela manhã pego um vôo para visitar alguns velhos amigos, no banco o meu lado não tem ninguém e nem em algum outro assento do avião, fico me perguntando se há um piloto. No desembarque vejo o aeroporto silencioso, apenas o barulho de aviões se preparando para decolar. O vento grita meu nome em voz alta e escuto passos de pessoas andando por todo lado, mas não vejo ninguém. Bato na porta de um amigo, bato novamente, mas eu sei que ninguém surgirá daquela porta. Eu não quero voltar pra casa, não quero sentir o frio e a solidão do meu quarto. Imagino tudo que perdi tudo que deixei pra trás e todos que magoei por uma dor insuportável que eu mesmo alimentava. Não Havia ninguém na pista de dança ou alguém me levando pra casa, pois eu não saia pra dançar e não queria ninguém pra me levar em casa. Não havia ninguém ao meu lado no avião, pois eu não via nada além das frases do livro que lia. Eu ouvia apenas passos, pois não olhava as pessoas no rosto, andava olhando pros meus próprios pés e nem um amigo meu algum dia abriria a porta quando eu batesse, pois nunca tive algum pra visitar. Estou congelando de dor, mas é o que eu escolhi. Gostaria de ser de alguém para que eu não precisasse partir; alguém para me controlar e que arrancasse o que há de podre em mim. Mas minha procura para a liberdade da minha própria loucura acabou desde o momento que meu coração fora arrancado pedaço por pedaço em lentidão, substituído por uma pedra de gelo esculpida pelo lado de dentro.
Uma vez sonhei que eu podia voar e eu flutuava sobre a minha casa e podia sentir o ar puro e frio da noite entrando pelas minhas narinas como respirar uma fragrância forte e doce de um perfume caro de senhoras.
Saturday, April 23, 2011
- Gelo.
Estou dançando, em um lugar com luzes coloridas e muitas pessoas em volta dançando ao som de suas músicas prediletas, mas se olho em volta eu vejo que ninguém está realmente ali, estou sozinha aquela noite dançando em volta de meus próprios passos. Estou em um carro, de carona espero um beijo de boa noite pra que eu posso descer e entrar em casa, mas ninguém está no banco do motorista, estou ali falso e perdido em tudo que eu conheci. Pela manhã pego um vôo para visitar alguns velhos amigos, no banco o meu lado não tem ninguém e nem em algum outro assento do avião, fico me perguntando se há um piloto. No desembarque vejo o aeroporto silencioso, apenas o barulho de aviões se preparando para decolar. O vento grita meu nome em voz alta e escuto passos de pessoas andando por todo lado, mas não vejo ninguém. Bato na porta de um amigo, bato novamente, mas eu sei que ninguém surgirá daquela porta. Eu não quero voltar pra casa, não quero sentir o frio e a solidão do meu quarto. Imagino tudo que perdi tudo que deixei pra trás e todos que magoei por uma dor insuportável que eu mesmo alimentava. Não Havia ninguém na pista de dança ou alguém me levando pra casa, pois eu não saia pra dançar e não queria ninguém pra me levar em casa. Não havia ninguém ao meu lado no avião, pois eu não via nada além das frases do livro que lia. Eu ouvia apenas passos, pois não olhava as pessoas no rosto, andava olhando pros meus próprios pés e nem um amigo meu algum dia abriria a porta quando eu batesse, pois nunca tive algum pra visitar. Estou congelando de dor, mas é o que eu escolhi. Gostaria de ser de alguém para que eu não precisasse partir; alguém para me controlar e que arrancasse o que há de podre em mim. Mas minha procura para a liberdade da minha própria loucura acabou desde o momento que meu coração fora arrancado pedaço por pedaço em lentidão, substituído por uma pedra de gelo esculpida pelo lado de dentro.
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1 comentários:
É preciso ouvir, sair, olhar as pessoas nos olhos. ><
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